Policial investigado por morte de jovem em Manaus já foi preso por suspeita de sequestro e extorsão
O policial militar Belmiro Wellington Costa Xavier, que está sendo investigado pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, possui um histórico criminal anterior. Em 29 de dezembro de 2020, ele foi detido em Manaus sob suspeita de envolvimento em um crime de extorsão mediante sequestro.
A prisão anterior ocorreu após a expedição de um mandado de prisão preventiva pela Justiça do Amazonas. Carlos André foi fatalmente atingido por um tiro no peito durante uma abordagem policial. Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento em que o jovem foi cercado e agredido pelos agentes.
O g1 buscou contato com a defesa do policial para obter um posicionamento sobre o caso. Conforme documentos obtidos pela reportagem, Belmiro Wellington Costa Xavier já havia sido investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A ordem de prisão de 2020 foi cumprida durante o plantão criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Detalhes do caso anterior sob sigilo
Informações detalhadas sobre o caso de extorsão mediante sequestro não foram divulgadas, pois o processo tramita em segredo de Justiça. Não há dados públicos disponíveis sobre a vítima, a data exata do crime ou a participação específica do policial militar nas circunstâncias daquela ocasião.
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) acompanhou o andamento do caso de 2020 e se manifestou pelo envio do processo ao juízo competente para dar continuidade às investigações. Até o momento da última atualização, nenhuma decisão definitiva havia sido proferida em relação às acusações.
Policial preso preventivamente e afastado
Atualmente, o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier encontra-se preso e recolhido no Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), aguardando determinações da Justiça. A PMAM informou que está adotando as medidas cabíveis, incluindo a instauração de procedimentos pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) para uma apuração rigorosa dos fatos recentes.
Em relação ao processo de 2020, a PMAM esclareceu que o militar respondia em liberdade, por determinação do Poder Judiciário, sem impedimento legal para o exercício de suas funções. A corporação reafirmou que o sargento está à disposição da Justiça.
Justiça aponta indícios de excesso de força
A prisão preventiva de Belmiro Wellington Costa Xavier e de outro policial, Hudson Marcelo Vilela de Campos, foi decretada pela Justiça do Amazonas. O juiz Alcides Carvalho Vieira Filho observou que as imagens da abordagem a Carlos André indicam que a vítima não oferecia resistência no momento em que foi atingida.
O magistrado ressaltou a existência de indícios de uso excessivo da força e possíveis inconsistências nas versões iniciais apresentadas pelos policiais. Para a Justiça, esses elementos reforçam a necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e a correta instrução criminal do caso.
Mãe relata versão inicial de acidente
Segundo familiares de Carlos André, o jovem estava em uma motocicleta quando foi abordado pelos policiais militares por volta das 2h45. A mãe do rapaz contou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído no chão, com a moto ao lado. Inicialmente, os policiais teriam informado que o jovem havia sofrido um acidente.
“Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada pra cima do corpo. Falaram que eu não podia chegar perto, que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço”, relatou a mãe. Ela acrescentou que, com a chegada da perícia, o corpo do filho foi virado e a marca do tiro no peito foi revelada.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a morte de Carlos André foi causada por ferimentos provocados por projétil de arma de fogo, com lesão constatada no pulmão. O caso segue sob investigação policial e judicial.