Melania Trump se desmarca de Epstein em discurso surpresa na Casa Branca e reacende polêmica

Em um movimento inesperado que pegou muitos de surpresa, inclusive membros da própria administração, Melania Trump rompeu seu habitual perfil discreto para abordar diretamente as alegações que a ligam ao caso Jeffrey Epstein. Sua declaração, feita no mesmo púlpito da Casa Branca onde assuntos de Estado são frequentemente discutidos, trouxe o escândalo de volta ao centro das atenções nos Estados Unidos.

A primeira-dama, conhecida por sua seletividade em aparições públicas e por evitar o drama midiático que por vezes acompanha seu marido, Donald Trump, leu um comunicado preparado. Nele, Melania Trump afirmou categoricamente que nunca teve um relacionamento com Jeffrey Epstein ou Ghislaine Maxwell, negou ter sido apresentada ao marido pelo financista e declarou desconhecer os crimes cometidos por Epstein.

A declaração, divulgada sem aviso prévio e com interrupção da cobertura de outros assuntos urgentes, como a crise com o Irã, levantou imediatamente questionamentos sobre o motivo e o momento da intervenção. A jornalista investigativa Vicky Ward, que acompanha o caso Epstein há décadas, expressou perplexidade, considerando o momento confuso e questionando o impacto da declaração após tanto tempo.

A declaração inesperada e suas implicações

Com as palavras “As mentiras que me ligam ao vergonhoso Jeffrey Epstein precisam acabar hoje”, Melania Trump se colocou de forma clara no centro do caso Epstein, em desacordo com a narrativa que o governo, segundo reportagens, desejava encerrar. A primeira-dama leu um comunicado preparado, no qual negou qualquer relacionamento com Epstein ou Ghislaine Maxwell, e afirmou que não foi apresentada ao marido pelo financista, além de desconhecer os crimes dele.

A decisão de Melania Trump de se pronunciar publicamente pela primeira vez sobre o caso, distanciando-se do criminoso sexual condenado, gerou especulações sobre a possibilidade de ela estar tentando antecipar-se a novas revelações. Tradicionalmente, em tais situações, ela recorre a seus advogados para responder.

A jornalista investigativa Vicky Ward, que cobre Epstein há décadas, considera o momento da coletiva confuso. “Acho que se Melania Trump tivesse feito isso no início da crise de Epstein, há um ano, e tivesse convocado o Congresso a registrar os depoimentos das vítimas e ouvir suas histórias, nos sentiríamos de forma bem diferente”, afirmou Ward. Ela também adicionou que o contexto das declarações não faz sentido, pois “não há, de fato, muita coisa sobre Melania Trump nos arquivos de Epstein além daquele único e-mail, um e-mail amigável para Ghislaine Maxwell. Fico perplexa com isso. Não acho que alguém jamais tenha acreditado que ela fosse uma vítima.”

Reações e controvérsias após o pronunciamento

A reação ao anúncio de Melania Trump foi imediata e multifacetada. Diversas sobreviventes do abuso de Epstein entraram em contato umas com as outras, compartilhando incredulidade e coordenando respostas. Treze delas, juntamente com a família de Virginia Roberts Giuffre, divulgaram um comunicado afirmando que exigir mais dos sobreviventes é uma transferência de responsabilidade, não justiça.

O comunicado das sobreviventes criticou a primeira-dama, declarando: “A primeira-dama Melania Trump agora está transferindo o ônus para os sobreviventes em condições politizadas que protegem aqueles que detêm poder: o Departamento de Justiça, as forças de segurança, os promotores e o governo Trump, que ainda não cumpriu integralmente a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.”

Marina Lacerda, que tinha 14 anos quando foi abusada por Epstein, conforme detalhado na acusação federal de 2019, foi uma das sobreviventes que assinaram o comunicado. Em um vídeo separado, Lacerda criticou duramente a sugestão da primeira-dama, questionando: “Parece que você está apenas tentando desviar a atenção de uma coisa para outra. Então, como isso beneficia a família Trump, é a minha pergunta?”

Por outro lado, a sobrevivente Lisa Phillips elogiou Melania Trump por confrontar a narrativa do Departamento de Justiça de que estariam encerrando o capítulo dos arquivos Epstein. Phillips descreveu o apelo para que sobreviventes contem suas histórias como um “movimento ousado”, mas também desafiou a primeira-dama a transformar palavras em ações, questionando o que ela pode fazer para ajudar e avançar no caso.

Divisões e agendas na Casa Branca

O presidente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, James Comer, que investiga os arquivos Epstein, concordou com a primeira-dama e agradeceu suas declarações, afirmando que o comitê planeja realizar audiências com sobreviventes. “Concordo com a primeira-dama e agradeço o que ela disse. Teremos audiências”, afirmou o republicano.

Barry Levine, autor de “The Spider: Inside the Tangled Web of Jeffrey Epstein and Ghislaine Maxwell”, considera significativo o fato de Melania Trump ter incluído e reconhecido as vítimas, indo contra a posição do marido. Ele aponta que o presidente Trump, que conviveu socialmente com Epstein nos anos 1990 e aparece nos arquivos, mas nega conhecimento de seus crimes, sempre deu as costas às vítimas e chamou a comoção em torno dos arquivos de farsa politicamente motivada.

Tammy Vigil, autora de “Melania and Michelle: First Ladies in a New Era”, sugere que a ausência de menção ao marido no comunicado de Melania Trump indica uma fissura na Casa Branca e entre as agendas promovidas pelo casal. “Ela está promovendo uma agenda que, por todas as aparências externas, ele não quer promover. Então ela está ajudando sua própria agenda. É uma declaração muito independente, e já a vimos fazer isso algumas vezes antes”, disse Vigil.

Democratas veem a declaração como um presente político. O democrata Robert Garcia, do Comitê de Supervisão da Câmara, ficou surpreso e afirmou que o governo Trump precisa seguir o exemplo da primeira-dama. “Se Melania Trump quer justiça de verdade, ela deveria pedir ao marido que divulgue o restante dos arquivos Epstein e garanta que Pam Bondi testemunhe”, declarou Garcia.

Apesar de Donald Trump ter negado conhecimento dos crimes de Epstein, ele não pode acusar Melania Trump de ter intenções maliciosas por recolocar a história nas manchetes. O anúncio da primeira-dama deu novo fôlego a uma crise duradoura que o governo tem lutado para superar.